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AS VOZES DA MINHA CABEÇA

fora da casinha

  • Foto do escritor: Darlís Santos
    Darlís Santos
  • 21 de jan.
  • 2 min de leitura

(eu espero que tu tenha lido o título desse texto cantando, e beeem desafinadooo).


Repertório é tudo.

Foi em 2023 que tive meu primeiro contato consciente com as obras da arquiteta Lina Bo Bardi.

Na época, eu estava atuando como voluntária no MAM Bahia, trabalhando com monitoria. Em algum momento, surgiu a necessidade de explicar a escada presente no espaço e, para isso, precisei pesquisar.

Foi ali que descobri que aquela escada havia sido projetada por Lina Bo Bardi.

O que mais me chamou atenção não foi apenas o desenho, mas a forma como ela foi construída:

não existe nenhum prego, nenhum parafuso ou estrutura metálica aparente.

A escada é feita em madeira maciça, sustentada por encaixes tradicionais, inspirados em técnicas artesanais.

A partir desse detalhe, fiquei mais curiosa sobre seu trabalho.



Descobri outras obras, como o MASP, os cavaletes de vidro, o SESC Pompeia.

E, pouco a pouco, fui entendendo que o trabalho da Lina não era só sobre arquitetura mas também era sobre postura, processo e ética criativa.

Mas o que isso tem a ver com repertório?

A Lina, e principalmente sua forma de fazer, passou a influenciar diretamente o meu trabalho.

Os traços simples, a estética estruturada, o “errado”, o bruto deixado de forma aparente.

Nada é escondido, na verdade, o processo faz parte da linguagem, como se fosse um personagem, sabe?



Ela acreditava em uma arquitetura profundamente enraizada no contexto local, na cultura e nas pessoas que aquele espaço iria servir.

O SESC Pompeia é um exemplo claro disso: um centro cultural criado a partir de uma antiga fábrica, onde a reutilização adaptativa dá nova vida a uma estrutura existente, sem apagar sua história.


Essa lógica conversa muito com a forma como eu crio, especialmente no meu trabalho com colagem.

Reutilizar imagens, estruturas e materiais já existentes, reorganizar sentidos e construir novas narrativas a partir do que já tem história.

O bruto como característica.

O errado, o rabisco, de forma aparente.

A estrutura blocada.



Se eu ficasse presa apenas a referências de design,

provavelmente eu não teria tanta influência da Lina.

Mas o meu repertório passou a ser construído a partir de diferentes áreas, arquitetura, cinema, teologia...

E isso, pra mim, se tornou tudo, e às vezes é bem complicado, mas um complicado bom. :)

“Meu interesse sempre foi unir forma e conteúdo, criar espaços para a expressão da vida." - Lina bo bardi


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