recife te convida a viver a cidade
- Darlís Santos

- há 2 dias
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Costumo dizer que, caso eu não tivesse nascido na Bahia, gostaria muito de ter nascido em Pernambuco. Recife foi para onde viajei de avião pela primeira vez e também foi minha primeira viagem sozinha; tenho um grande apego emocional a essa cidade e a esse estado. Mas não fica apenas aí: Recife é diferente, e só dá para saber estando lá. Recife é uma cidade que te convida a vivenciá-la.
É impossível andar pelo centro e não recolher grandes referências criativas, como mostra o documentário de Kléber Mendonça Filho, Retratos Fantasmas. “Eu amo o centro do Recife.” Já estive por lá três vezes e ainda desejo retornar, pois sinto que não amei essa cidade o suficiente.

A cultura popular é com toda certeza o centro dessa cidade, nunca está morta. As máscaras, a La Ursa e os objetos ligados ao carnaval revelam uma estética marcada pelo improviso, pela expressividade exagerada e pelo uso intuitivo da cor e da forma. A La Ursa, em especial, faz meus olhos brilharem, mesmo sendo algo herdado da Europa, é algo muito brasileiro.
Me lembro que, a primeira vez que estive no Marco Zero e me deparei com o mar de lá eu percebi que não era o mesmo azul. O azul em Recife se comporta de maneira diferente, é mais iluminado e ao mesmo tempo mais fresco. É um azul que é vibrante, ás vezes desgastado pelo tempo, mas que sempre carrega uma sensação de profundidade, de frescor e de memória.
A escrita vernacular presente nos muros, placas improvisadas, cartazes colados e frases espalhadas pela cidade transforma o espaço urbano em um grande suporte gráfico. Letras irregulares, mensagens diretas, poesia espontânea e protesto convivem lado a lado, e isso me encanta demais pois revela uma cidade VIVA, que fala, se expressa e reage.

Das construções históricas às fachadas coloridas, dos edifícios à beira do rio aos espaços culturais, a arquitetura também chama bastante atenção. O Instituto Ricardo Brennand, o centro histórico e os teatros revelam diferentes formas de narrar o tempo, seja pela monumentalidade, seja pelo uso cotidiano e afetivo dos espaços.
Tudo em Recife parece convidar à experiência direta, ao caminhar atento, à permanência. Viajar para Recife é sempre uma alegria, isso não apaga as mazelas da cidade, mas como em todos os lugares, existem seus pontos positivos e viver Recife te leva a esse encantamento.




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