HIT! Magazine: construir uma linguagem editorial e sustentar uma equipe criativa
Minha trajetória na HIT! Magazine começou com a criação de peças para as redes sociais. Depois, passei a integrar o time de diagramação da revista impressa, desenvolvi uma nova direção de arte editorial para a publicação e, posteriormente, assumi a coordenação do time de design das redes, formado por mulheres.
Essas etapas me colocaram diante de questões diferentes e conectadas: como construir uma linguagem visual para uma revista, como orientar sua aplicação em conteúdos diversos e como organizar o trabalho criativo para que a equipe tivesse tempo e condições de desenvolvê-lo.
Pesquisa
Na reformulação da revista, meu olhar se voltou à estrutura visual da publicação. Observei como tipografia, cor, layouts e categorias de conteúdo poderiam trabalhar juntos para criar reconhecimento sem fazer todas as matérias parecerem iguais. Uma revista precisa ter identidade, mas cada pauta também pede suas próprias decisões de imagem, composição.
Mais tarde, na coordenação das redes, a investigação passou a incluir o processo de produção. Assumi a função durante uma transição de liderança, quando materiais chegavam perto do horário de publicação e restava pouco tempo para criar, revisar ou refazer peças. Entender onde estavam os bloqueios entre redação, design, postagem e vídeo tornou-se parte do trabalho de direção.
Conceito
Na revista, minha proposta era construir uma linguagem editorial capaz de organizar conteúdos diferentes e, ao mesmo tempo, abrir espaço para a expressão visual de cada um. Isso significava pensar a publicação como um conjunto: suas hierarquias, variações, pausas e relações entre texto e imagem.
Na equipe, a direção criativa também dependia de autonomia. Para que a qualidade visual não estivesse concentrada apenas na minha aprovação, era necessário criar clareza sobre prioridades, dar feedback e permitir que as designers participassem cada vez mais das decisões.

Tradução visual
Na revista impressa, redefini o sistema tipográfico, os layouts, as cores, a categorização dos materiais e a linguagem visual. Além de estabelecer essa proposta, trabalhei em sua aplicação na diagramação. Em uma das edições, coordenei o desenvolvimento de ilustrações personalizadas para uma matéria de capa e fui responsável por diagramá-la, integrando as ilustrações à composição editorial.
Nas redes, acompanhei o desenvolvimento visual dos conteúdos e coordenei as entregas de design. Reorganizei o fluxo para que os materiais chegassem antes à equipe, ampliando o tempo de criação e prevendo espaço para ajustes antes da publicação. Cada designer tinha responsabilidade sobre um quadro; eu orientava as peças, delegava decisões e acompanhava seu desenvolvimento profissional.
Minha atuação na HIT! também se estendeu a outros formatos. Coordenei entregas de design nas ações de divulgação dos shows de NCT Dream e Stray Kids, no contexto das parcerias da revista com a Live Nation. Criei ainda a direção de arte do HIT! Fest e acompanhei à distância seus desdobramentos pela equipe enquanto estava na Coreia do Sul.
Resultado
A experiência na HIT! reuniu direção de arte editorial, criação para evento, coordenação de produção e desenvolvimento de pessoas. Após a adaptação ao novo fluxo das redes, observei entregas dentro do calendário, com mais clareza sobre etapas e responsabilidades. Na equipe, percebi mais autonomia, revisão entre colegas e iniciativa para assumir novas funções. Antes de sair, preparei uma integrante para assumir a liderança.
Esses resultados vêm do acompanhamento cotidiano do trabalho. Para mim, a HIT! mostra que direção de arte também é criar as condições para uma linguagem visual se desenvolver e continuar: nas páginas, nas peças e nas pessoas que participam da construção delas.
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