Loop: dar forma ao pensamento por trás da marca
Contexto
A direção de arte da Loop nasceu da tentativa de traduzir visualmente uma ideia simples: criatividade não acontece em linha reta, então pensei em um ponto de partida onde a Loop existe como um espaço de circulação, de ideias, referências, pessoas, culturas e possibilidades. Assim como uma ideia se forma a partir da conexão entre diferentes redes, a identidade foi construída a partir de formas que se encontram, se cruzam e continuam em movimento. O processo criativo, portanto, não é linear, é orbital. Essa ideia também aparece na própria lógica da marca: estar em movimento, absorver o que está ao redor, transformar e devolver novas possibilidades.
Minha atuação foi desenvolver a direção de arte dessa nova fase e pensar como ela poderia se expandir da identidade para a campanha de lançamento, o press kit e os produtos.
Pesquisa
A pesquisa começou pela observação de como cultura e tecnologia se relacionam hoje, mas também pelo interesse em encontrar uma representação que não fosse excessivamente literal. A referência de A Dança, de Henri Matisse, apareceu nesse momento como uma chave importante: cinco corpos conectados em um movimento contínuo, transformando o corpo em ritmo, fluxo e energia coletiva. Mais do que representar pessoas, a obra representa uma sensação de conexão. O movimento dos corpos, a repetição e a forma circular ajudaram a construir uma imagem mental para pensar a Loop não como um ponto de chegada, mas como um espaço onde as coisas continuam acontecendo.

Outra referência foi a lógica das formas presentes em nosso cérebro, responsável pelo pensar e criar. Assim como ideias surgem a partir da conexão entre diferentes redes neurais, a identidade da Loop se constrói através de formas interligadas que simbolizam circulação cultural, troca e movimento contínuo. A ideia não era ilustrar um cérebro ou representar visualmente uma rede neural de maneira literal, mas trazer para a linguagem da marca a lógica de conexão que existe por trás desses processos.

Conceito
A partir daí, o desenvolvimento passou por diferentes etapas: absorver referências, conectar ideias, processar possibilidades, criar tensão e finalmente, materializar. Esse movimento também orientou a construção do sistema visual, onde a identidade combina elementos estruturados, ligados à estratégia e ao posicionamento da marca, com uma frente mais experimental, relacionada à edição, direção criativa, motion e comunicação.

Então, pensando nisso, eu rabisquei alguns modelos da assinatura principal. Comecei por um rabisco onde as letras eram construídas a partir da forma de um corpo, quase como se cada letra tivesse um movimento próprio. Aos poucos, fui refinando essa ideia até chegar em uma construção mais fluida, onde as formas deixam de parecer corpos literais e passam a funcionar como linhas em movimento. Foi nesse processo que a assinatura começou a encontrar uma forma própria de representar a ideia de circulação.


Esse caminho foi importante porque a identidade não nasceu de uma forma pronta que depois ganhou um conceito. O conceito foi sendo descoberto enquanto eu desenhava, testava, descartava e voltava para algumas ideias anteriores. O desenho passou a ser também uma ferramenta de pensamento e cada rabisco ajudava a entender melhor o que aquela ideia poderia ser visualmente, e cada refinamento aproximava a forma da sensação que eu queria transmitir.
Tradução visual
Por isso, a direção de arte foi pensada menos como uma estética fechada e mais como um sistema capaz de continuar produzindo linguagem, um universo visual que possa absorver novas referências, experimentar novas combinações e acompanhar o movimento da cultura, a identidade precisa continuar viva, adaptável e capaz de crescer junto aos projetos.
Pensando que para a Loop a criatividade não termina quando uma ideia é materializada, mas volta para o começo, encontra outra referência, outra pessoa, outra possibilidade e começa novamente. A pesquisa alimenta a criação, a criação gera novas perguntas, e essas perguntas levam de volta à pesquisa, podemos dizer que é um movimento contínuo de absorver, conectar, processar, experimentar e materializar, tudo em loop.


Resultado
O rebranding estabeleceu uma direção de arte que se expandiu da identidade para a campanha, o press kit e os produtos. O que torna este projeto importante para mim é o percurso entre uma questão de posicionamento e suas expressões concretas. A Loop queria mostrar o lado humano, pensante e criativo do seu trabalho; minha pesquisa e minhas decisões visuais partiram dessa intenção para construir uma linguagem que pudesse acompanhá-la em diferentes pontos de contato.


Veja o projeto completo AQUI.




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